No final é o consumidor que decide

Novas tecnologias iPad

Novas tecnologias iPad

Trabalhei por 6 anos visitando empresas brasileiras no Japão vendendo publicidade para mídia impressa, a parte mais importante disso foi traçar um perfil dos empresários que oferecem produtos e serviços na comunidade.

Existem vários perfis, mas vou separar em apenas 2, para mostrar que há um enorme mercado inexplorado ou mal trabalhado. O de TECNOLOGIA.

Há os adeptos a tecnologia e os aversos.

Os adeptos, são ainda subdivididos em empreendedores que investem em tecnologia por opção ou por necessidade.

Os que investem por opção, tem capital disponível e coragem para arriscar. As vezes arriscam errado, contratando amadores, que acabam manchando o caminho de bons profissionais, mas faz parte do risco de empreender ou talvez da falta de informação. Quando investem certo, tem bons resultados, todos devem saber quais são.

Já os com pouco capital, resta aprender tudo sozinho, ou confiar em algum amigo que ajuda sem cobrar. Acho bom ter esse mercado, desde que a pessoa que fez o trabalho grátis, não deixe o empreendedor a ver navios, o que pode acabar com uma amizade.

Agora vamos aos aversos a tecnologia. São a maioria, pois mesmo tendo as vezes mais de 1.000 clientes para se relacionar, não tem muito interesse em investir num CRM ou ao menos um website institucional.

Os motivos para alguns empresários não investirem é porque até 2007, tudo era mais fácil, bastava reclamar e esperar. Nada afetava as vendas, cada vez mais brasileiros chegavam ao Japão e a demanda era alta. Mas um fenômeno externo em 2008 afetou bastante todas as empresas brasileiras no Japão.

Nessa época em 2007 entrei no Facebook, sempre gostei de tecnologia e acredito que ela ajuda bastante o consumidor. A maioria dos brasileiros no Japão demoram mais ou menos 5 anos para se adaptar a novas tecnologias web, acredito que este é o ano do FB na comunidade.  Se há investimento, demora menos, no caso de novos aparelhos digitais. Vejamos o exemplo do iPhone, lançado pela Softbank em julho de 2008. O grande diferencial para esse aparelho ter ganhado mercado tão rápido entre os brasileiros foi o atendimento em português em diversas lojas Softbank e as vendas por uma grande rede de lojas de eletrônicos brasileira. Estima-se que haja 100 mil iPhones nas mãos de brasileiros no Japão.

O que mais mudou na comunidade devido ao uso de novas TECNOLOGIAS?

- INFORMAÇÃO, os jornais dos anos 90, que eram vendidos a ¥ 300 com edições semanais foram trocados por acesso grátis a sites como UOL e GLOBO.COM com notícias a cada minuto.

- COMUNICAÇÃO, telefones públicos e os cartões de ligação internacional de ¥ 5 mil que duravam 10 minutos nos anos 90, foram trocados por Skype com vídeo.

- VAREJO, caminhões de produtos que visitavam prédios de brasileiros nos anos 90, foram trocados por sites de e-Commerce com pagamento na entrega em 24h.

- RECICLAGEM, pagar para recolher objetos usados ou jogar no lixo, foram trocados por sites de leilão e classificados grátis.

- PESQUISA, andar de loja em loja para saber os preços dos produtos antes de comprar, serão trocados por sites de comparações de preços.

Os empresários brasileiros no Japão precisam enxergar a tecnologia antes do consumidor, pois assim que algo novo é assimilado pela maioria, muitos estarão criando algum serviço agregado a esta novidade. Vide o caso do ORKUT usado como plataforma de vendas, pela facilidade de relacionamento com clientes. E agora a migração desses negócios para o FACEBOOK e LEILÃO.JP.

A INTERNET revolucionou a forma com que os brasileiros no Japão se comunicam e se informam. Em apenas 10 anos, muitos hábitos foram alterados pela adoção de novas tecnologias pelo consumidor. A adoção do SMARTPHONE e dos TABLETS pela maioria dos consumidores brasileiros está sendo feita numa velocidade impressionante (5 anos). Está na hora dos empreendedores pensarem se investir em tecnologia é uma opção ou questão de sobrevivência. No final, o consumidor que decide!

Empreendedores brasileiros no exterior

Instagram

Instagram

Dias atrás o Blog Aperto de Mão do Hiroyuki Suzanaka postou sobre o empreendedor Mike Krieger, brasileiro que vive nos EUA, co-fundador do Instagram, o aplicativo de fotos adquirido pelo Facebook por $ 1 bi.

Decidi então pesquisar sobre outros empreendedores brasileiros no exterior e achei mais alguns.

- David Neeleman – foi CEO da JetBlue, a companhia que lucrou mesmo durante a crise aérea nos EUA com as passagens mais baratas do país. Em 2008 fundou no Brasil a Azul, que teve o nome escolhido por votação do público.

- Bernardo Porto – Sócio-Fundador da DeskMetrics, atualmente no Chile e vendendo seu software de analises para o mundo inteiro. Já saiu duas vezes no Techcrunch.

Philipp Povel - Sócio-Fundador da MyBrands, morou 20 anos na Alemanha e na sua volta ao Brasil fundou junto com dois alemães e um francês a Dafiti.

- Reinaldo Normand – Um dos fundadores do Zeebo, projeto inovador que utilizava a rede 3G para baixar jogos. Mora nos EUA e fundou a 2Mundos.

Ron Czerny – Há muito tempo morando nos EUA, tem uma companhia que foi a pioneira em oferecer conteúdo para celulares direto para consumidores no país. Tem mais de 100 funcionários e receitas de 6 dígitos, a PlayPhone.

- Adriano Blanaru – Fundador e CEO da Clipik, um site que facilita a forma de editar vídeos e fotos. Já teve grande cobertura da mídia especializada em tecnologia como pode ser visto na home.

- Paulo Lerner – Fundador de 3 startups, incluindo a Rewinery que promete entregas dos melhores vinhos em 1 hora na região de San Francisco.

Espero ver o nome de algum empreendedor brasileiro do Japão na mídia em breve.

Fontes: Wikipedia.Org, Techcrunch.Com e Istoedinheiro.Com.Br