Brasileiros no Baseball do Japão – Transnacionais no esporte

A história dos brasileiros no Baseball profissional do Japão, inicia-se com Shigeo Tamaki em 1999, passa por Yuichi Matsumoto e a partir de 2012 pode ter novos protagonistas.

Tinha pouco conhecimento sobre Baseball até viajar para o país, mas depois de 20 anos no arquipélago, passei a acompanhar tanto a liga japonesa NPB, quanto a MLB, que hoje conta com inúmeros jogadores japoneses, com destaque para Ichiro Suzuki, do Seattle Mariners.

Em 2012, a pré-temporada da NPB, começa no dia 18 de fevereiro e a oficial inicia no dia 25 de março. O Yakult Swallows este ano tem 4 brasileiros e possíveis histórias de sucesso, como de Tamaki, o brasileiro que abriu caminho entre os jogadores profissionais de baseball no Japão, iniciou na liga industrial pelo Mitsubishi, passou para o Hiroshima Carp, onde ficou 9 anos e terminou sua carreira no Rakuten Golden Eagles, onde foi também treinador e scout em 2006.

Os profissionais:

- Yuichi Matsumoto – Nascido em São Paulo, mas que hoje tem cidadania japonesa, é um dos que conseguiram seu lugar nesse esporte disputadíssimo no Japão. Já está a mais de 10 anos jogando pelo Yakult Swallows.

Mike Magario - Se destacou no campeonato Koshien defendendo o Aomori Yamada High School e em 2009 foi escolhido pelo Yakult Swallows, onde está até hoje. Ainda não obteve o mesmo sucesso no time principal, mas tem tempo para motrar seu trabalho.

- Hugo Kanabushi – Teve destaque no torneio universitário jogando pelo Hakuoh University e é uma promessa para este ano.

- Rafael Fernandes - Contratado em 2009, está progredindo dentro Yakult Swallows, com boas apresentações no time B, mas teve apenas uma participação no time principal em 2011. Também saiu do Hakuoh University.

De acordo com o post do Patrick no NPBTracker há alguns prospectos brasileiros na liga industrial com grandes chances no futuro, veja os vídeos abaixo:

Felipe Natel – Yamaha (Industrial League)

Alan Fanhoni – NTT East (Industrial League)

Outro prospecto que já tem seu nome gravado na história do Baseball Colegial do Japão é o Pedro Okuda, que bateu um Sayonará Homerun na primeira vitória do Honjo Dai Ichi High School em 2009. Hoje ele está nas ligas menores na Venezuela, contratado pelo Seattle Mariners. Um caso específico de “Transnacional” no esporte. Pois saiu do Brasil para estudar e praticar Baseball no Japão, teve seu momento de fama e foi para a Venezuela jogar para um time americano.

Um dos primeiros brasileiros a estudar no Japão e conseguir vaga num time profissional da NPB foi Norberto Semanaka em 2003, que apesar de ter feito boa campanha no campeonato colegial, não conseguiu seu espaço no time do Chunichi Dragons, time que eu admiro no Japão. Acredito que faltou se naturalizar para conseguir uma vaga no time principal. Algo que está acontecendo nos dias atuais. Dos 4 jogadores brasileiros no Yakult, 3 são naturalizados japoneses.

A cada ano, cresce o número de brasileiros jogando Baseball no Japão. Números não oficiais, dão conta de mais de 40 atletas nos times colegiais, universitários e liga industrial além dos 4 da liga profissional. Pelos números da COB, há 30 mil praticantes e 120 times amadores pelo Brasil. Se existem 4 profissionais jogando Baseball no Japão, as chances de se profissionalizar no esporte não são tão ruins assim. 1 para cada 7.500 praticantes.

Numa comparação com o futebol, que tem mais de 30 milhões de praticantes no Brasil, 100 times nas séries A, B, C e D, com 22 jogadores em cada. Temos 2.200 jogadores profissionais no Brasil e cerca de 5.000 no exterior, que começaram a emigrar em 1930. Então há 1 chance para cada 4.000 praticantes em média.

Mesmo não havendo liga profissional de Baseball no Brasil, pouca cobertura da mídia, pouco investimento das empresas, ainda assim, compensa investir na carreira de um jovem que sonhe em se profissionalizar. E hoje, com a ajuda do Youtube, ficou mais fácil ser achado pelos “scouts” dos times profissionais. Desde 2006, os brasileiros vem chamando atenção da MLB. Os brasileiros estão dando certo no Baseball, falta apenas a estrutura para se tornar um esporte profissional no país do futebol.

 

 

fontes: Wikipedia.org, CBBS.com.br, NPBTracker.com, MLB.com

Descubra quem são Gree e DeNa – os zyngas japoneses

Saiba quem são Gree e DeNa

Link da imagem original abaixo

Em  2010, comentei sobre a corajosa mudança na comunicação (inglês como língua oficial) de duas empresas japonesas com grande expressão global nos dias de hoje, Rakuten e Uniqlo. A primeira, como foi noticiado ano passado, comprou 75% de uma das mais antigas empresas de e-commerce do Brasil, a Ikeda. Conseguiu em menos de 1 ano, inserir no seu marketplace uma quantidade enorme de marcas e lojas brasileiras e lançou o seu programa SuperPoints, muito utilizado aqui no arquipélago pelos seus milhões de usuários.

Outro projeto interessante que podemos ver em ação no Brasil, é o suporte aos empreendedores, com cursos e seminários, noticiados no blog da Rakuten Brasil. Ação que é feita também no Japão, com a Rakuten University e os seminários para empreendedores em diversas regiões japonesas. Com isto, o mercado digital brasileiro vai ganhar qualidade e pode abrir caminho para outros negócios nesse setor.

Da mesma forma que a Rakuten trabalha para que as empresas comercializem seus produtos e serviços. Há duas outras empresas japonesas que podem chegar ao Brasil em breve e devem aproveitar um setor com poucas marcas de expressão. Os serviços para plataformas móveis.

Quem acompanha as notícias sabe que o povo brasileiro é social e grande utilizador das plataformas como Orkut, Twitter e Facebook. Porém, há poucas empresas brasileiras investindo nesse mercado, a não ser a Vostu, conhecida pelo sucesso dos jogos sociais como o Mini Fazenda, semelhantes aos da Zynga, popular pela família de jogos *Ville.

Mas vamos aos japoneses, que nem são mais tão orientais assim. A Gree, maior rede social do Japão, com 26 milhões de usuários no Japão e 140 milhões no mundo, depois da aquisição da plataforma Openfeint, cresceu 4.000% nas vendas de 2008 a 2010 e teve 52 bilhões de páginas vistas em aparelhos móveis em dezembro de 2010. Números impressionantes, para uma empresa que foi fundada em 2004, por um ex funcionário da Rakuten, Yoshikazu Tanaka, que desenvolveu a rede social nos tempos livres de trabalho.

Com a missão de fazer um mundo melhor através da Internet, já destaca suas pretensões de não haver barreiras territoriais para parcerias e aquisições focadas nas redes sociais, games e plataformas cloud. Tendo formado em 2011, parcerias com a Tencent, maior provedora de serviços online da China, que conta com 600 milhões de usuários e a Mig33, com 47 milhões de users no sudeste asiático. Nessa rápida expansão e com o crescimento nas vendas de smartphones no Brasil, é bem provável que Gree seja um dos nomes orientais a chegar em breve no país.

E tem mais, a DeNa, que em 2011 comprou o time de Baseball (Yokohama DeNa Baystars), seguindo os passos da Rakuten (Tohoku Rakuten Golden Eagles), também com visão global e segue fazendo aquisições e parcerias na velocidade da internet. A empresa fundada por Tomoko Namba num pequeno apartamento em Tokyo, iniciou suas operações em 1999, com o site de leilões Bidders, mas já no início teve problemas com serviços terceirizados (mudou estratégia e desenvolveu seu próprio sistema) e com a concorrência do Yahoo Auction, no ano 2000, começou a oferecer serviços de e-commerce em aparelhos móveis e a partir daí ganhou muita experiência nesse setor, lançando a plataforma de leilões para celulares “MobaOku” que em português poderia ser “Leilões móveis”. A partir daí, mudou sua estratégia para se tornar a número 1 em plataformas de celulares e em 2005 da lançou suas ações na bolsa de Tokyo Mothers.

Com muito dinheiro em caixa e diversas aquisições por todo o Japão, chegou ao topo do mercado móvel em 2010 depois de fechar parceria com o Yahoo Japan, seu antigo competidor. Em 2011, operações nos EUA, Canadá, Europa e Asia já estavam funcionando. Falta um ponto na América do Sul, o que pode indicar que em breve, Mobage e DeNa, podem ser mais duas palavras globais importadas do país do sushi e sashimi.

Créditos da imagem: http://www.flickr.com/photos/87292528@N00/2230231