As redes sociais na comunidade brasileira do Japão

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Ultimamente estou pesquisando bastante sobre as redes sociais dentro da comunidade brasileira do Japão. Aliás, analiso toda a comunidade desde 1990, quando cheguei no arquipélago nipônico.

O que mais me fascina neste estudo é que temos uma oportunidade incrível de vivenciar essa experiência fascinante da mistura de culturas totalmente opostas que foram feitas num país ocidental. Nossos avós foram para o Brasil levando uma tradição milenar para se juntar ao povo (carnavalesco) brasileiro. Nós, os descendentes de segunda, terceira e quarta gerações, viemos carregando toda essa diversidade prestes a explodir nessa ilha, que não é mais a cultura fechada de quando nossos antepassados emigraram para o país tupiniquim.

Ironia do destino, pois nossos avós, apesar de terem sofrido muito nos campos e ferrovias, experimentaram a sensação de viver num país sem tradição e aberto a novas culturas. Ao contrário de muitos de nós, que aprendemos a viver dentro de uma colônia fechada e rígida, mudamos para esta ilha, que antes era respeitada pela eficácia e qualidade, mas que agora está envolta de problemas políticos, comerciais e culturais.

Um dos grandes problemas do povo japonês é sua escrita importada da China. Quase tudo aqui é importado do país vermelho, até comida. Isso dificulta muito o acesso aos mercados internacionais. Diferente do Brasil onde usamos o alfabeto e todas as suas letras, por aqui tudo é conjugado em sílabas e não soletram algumas delas, que contém o L ou V. Curiosamente, a marca Louis Vuitton é famosíssima por aqui. Acredito que os franceses souberam aproveitar bem essa deficiência.

Qual a relação dessa escrita com as redes sociais?

1. Os japoneses vão levar mais 20 anos no mínimo para se adaptarem ao alfabeto completo. Fazendo com que empresas internacionais tenham que se adaptar a eles traduzindo seus sites ou se associando aos empresários locais, mudando alguns conceitos globais dos negócios.

2. Devido a algumas tecnologias muito avançadas terem sido lançadas no Japão primeiro, os jovens acabam se isolando por aqui e não interagem com o mundo ocidental, como no caso dos telefones 3G. E acabaram tendo que criar produtos específicos para a comunidade daqui, a exemplo do Mixi.jp

3. Poucos são os empresários japoneses que se destacam a nivel global, pois o sistema educacional nipônico, não incentiva a criatividade para desenvolver-se globalmente. Para se sobressair, é preciso estudar no exterior, principalmente nos EUA. Diferente dos brasileiros que mesmo estudando nas precárias escolas públicas, ainda assim conseguem ser contratados por gigantes do setor de TI.

Chegando agora no nível comunidade brasileira, onde os jovens não são incentivados a estudar, muitos falam com vocabulário restrito,  poucos sabem as regras gramaticais básicas e alguns aprendem somente o japonês. Sentiremos os efeitos daqui alguns anos se nada for feito para que eles entrem em redes sociais para discutir idéias e formar opiniões com fundamentos.

As redes sociais vieram para mudar a forma de distribuição de informação no mundo. Antes pagávamos para ler o que as grandes empresas nos forçavam a engolir todos os dias. Agora, escolhemos qual a fonte e quanto de tempo vamos dispor para com tais informações. Isso faz com que todos nós sejamos os provedores de conteúdo para as pessoas e empresas.

Redes como o Youtube, que nos trazem novos talentos de qualquer parte do mundo, mesmo que seja um gato que pule dentro de uma caixa. Twitter, que propaga em segundos uma informação que pode vir de qualquer celular na terra ou no espaço. Facebook, que engloba todo tipo de diversão, informação e conexão. Linkedin, que conecta todos os níveis do mundo corporativo e empreendedor. Blogs, que conectam escritores aos leitores informalmente sem a necessidade de aguardar a impressão de um capítulo de livro em papel. E o próprio Google Docs que conecta documentos as pessoas e as pessoas aos documentos sem a necessidade de uma impressora, tinta ou papel.

Estamos numa transição de conectividade e precisamos fazer algo pelos nossos jovens que só aprenderam a jogar fazendinha virtual e não entenderam que as sementes devem ser plantadas na sua mente e não na tela do computador.

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Um comentário

  1. Prezado Dino, bastante louvável a iniciativa de apreender aspectos da realidade por meio de pesquisas, análises e observações. A sua rica experiência no Japão, o credencia para demonstrar as tendências atuais e a preocupação com os destinos da educação das crianças e adolescentes no país. Como também, a importância das redes sociais na produção de informações e veiculação de conteúdos alternativos que vão muito além das publicações dos veículos de massa. Ressalto ainda, as dificuldades plausíveis delineadas pelo aspecto cultural e que, de certa forma, dificultam a inserção do Japão num processo de globalização mais rápido e eficaz. Parabéns pela brilhante reflexão! Abraços! Milton Saito

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