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a idéia milionária no papel
a idéia milionária no papel

Steve Jobs vs Bill Gates

Uma das diferenças entre Steve Jobs (In Memorian) e Bill Gates é a idéia geral de como as pessoas podem usar a tecnologia. Neste texto da Forbes temos uma visão melhor da idéia de Jobs, que usava a programação para solucionar os problemas de quem não codifica, e Gates, que enxergava em todos um programador.

Interessante notar que no Japão, Apple e Microsoft tem obtido sucesso. O Excel é usado nas corporações japonesas até para fazer logotipos e o iPhone fez da Softbank, uma das maiores operadoras de telefonia do arquipélago. O japonês de classe média, que trabalha com excel, tem condições de comprar 1 iphone por ano, à vista.

Dessa idéia geral de todos usarem produtos Microsoft para programar ou Apple sem precisar pensar, milhares de empreendedores se inspiraram e criaram seus negócios. Surgiram até Amazon e Google, que não existiriam sem que a Microsoft ou Apple tivessem revolucionado o mundo com seus computadores pessoais. Hoje, essas são as maiores empresas do mundo em valor de mercado.

Líderes visionários

Transformar uma idéia numa startup é um trabalho de líderes. O líder consegue engajar outras pessoas e forma times que produzem valor ao mercado. E acima disso, os líderes visionários conseguem atrair líderes de times. Os líderes visionários compartilham suas idéias e pessoas oferecem seu tempo para executá-la.

Muitas pessoas, ao ter uma idéia, guardam para si, com medo de alguém roubá-las. Mas quanto vale uma idéia sem registro de patente? Ou sem algum comparativo?

Valor de mercado

O ponto em comum entre as 4 empresas, Amazon, Apple, Google e Microsoft é o fato de estarem listadas na bolsa de valores, com suas ações negociadas de forma pública, qualquer pessoa pode investir e ser dono de uma fração delas.

Mas há pessoas que tem idéias e querem criar uma nova Amazon ou ficar bilionário. A diferença que separa uma idéia do bilhão é um time que produz valor ao mercado. Uma frase simples, “um time que produz valor ao mercado”.

O valor de mercado de todas as empresas listadas oscila. Se as pessoas sentem que a empresa vai crescer, compram ações e o valor sobe, se venderem, o valor diminui. Mesmo que Bill Gates acredite que sua empresa vale mais, se os acionistas pensarem ao contrário, seu valor de mercado diminui.

 

Quanto vale sua idéia?

Como vimos no tópico anterior, existem 2 tipos de valores, o do mercado e o seu. Mesmo que seu cálculo mostre no papel que vale milhões, o mercado pode dizer que vale zero. Por isso, é importante ter empatia, e descobrir como o mercado percebe valor na sua idéia.

No momento atual, com as informações globais acessíveis a bilhões de pessoas em tempo real, o mercado se movimenta de forma mais veloz e as idéias são valorizadas ou desvalorizadas em tempo real também.

Nesse caso, se a idéia não for testada no mercado na mesma velocidade, outra idéia nova, em algum canto do mundo pode superar a sua a qualquer momento. Nesse contexto, surgem as startups, empresas com idéias novas, executadas com rapidez e crescimento exponencial.

Para a idéia chegar ao mercado, a primeira ação é agendar a data e fazer a engenharia reversa. Responda as 7 perguntas iniciais.

  1. Quando? Data de lançamento da idéia.
  2. Por que? Propósito da idéia.
  3. Onde? Local de lançamento da idéia.
  4. Quem? Pessoas que irão utilizar seu precioso tempo comprando a idéia.
  5. Quanto? Valor para o mercado.
  6. Como? Em qual canal será feita a oferta da idéia.
  7. Eu/Time? Quem executará as tarefas necessárias antes, durante, depois.

Seja um produto ou serviço, sem data de lançamento, é difícil planejar os passos iniciais. E o valor da idéia dependerá de todas as decisões entre idealizador e mercado. Esse é o motivo de muitas empresas utilizarem pesquisa de mercado antes do lançamento.

Com a pesquisa de mercado, e consequente propagação da idéia, coleta-se uma base de dados para entender se haverá demanda e qual o valor percebido pelo seu produto ou serviço. A Apple, ao anunciar o lançamento de seus produtos, consegue analisar dados que auxiliam na produção e otimiza seu planejamento de ações sob demanda.

Para minimizar riscos no lançamento de idéias com rapidez, sem pesquisas de mercado, há outro processo de 3 estágios para valorizar uma idéia.

a) MVP – Lançamento de um produto viável mínimo para agilizar o teste de mercado. Interessa a você, saber o valor da sua idéia no mercado. Dentro do MVP estão as 7 perguntas iniciais para o lançamento.

b) Kaizen – Melhoria contínua do produto/serviço após o lançamento. Aumento de valor para o mercado.

c) Growth – Multiplicação de resultados. Aumento de valor para investimento.

Investimento

No estágio antes do MVP, o valor da idéia está apenas na mente, no papel ou no excel. Assim que o MVP é testado, há uma amostra tangível do valor da idéia. É o momento para melhorar o produto/serviço e chegar ao crescimento.

Além do “Bootstraping” que é o crescimento sem utilizar capital externo, há 5 formas de crescer:

d) Incubadoras – Programas de grupos privados ou públicos que investem tempo (com ou sem capital) para colocar em prática o MVP ou produto/serviço.

e) Crowdfunding – Sites de financiamento coletivo, com ou sem participação na empresa.

f) Bancos – Com financiamentos.

g) Aceleradoras – Empresas ou profissionais que investem tempo (com ou sem capital) para acelerar o crescimento das startups.

h) Venture Capital – Pessoas ou profissionais que arriscam seu capital.

Dentro do Venture Capital, existem vários tipos de investidores, que podem ser familiares ou amigos, que investem por motivos de relacionamento, amizade ou apenas ajuda, sem necessariamente esperar lucro no futuro.

Há também os Angels, que investem de variadas formas, como contribuição ao ecossistema de empreendedorismo ou como profissionais, que investem capital e agregam experiência nos negócios.

E os fundos, que são geridos por profissionais, com teses de investimento e prazo de retorno definidos em até 10 anos.

Fundos

As notícias na internet de fundos que investem em startups se popularizaram, e as histórias de bilhões, passam a impressão de que qualquer idéia pode receber milhões de um fundo em poucos segundos.

A sensação se dissipa ao percorrer os 7 passos para transformar a idéia em metas. E mostra que o caminho é um pouco mais trabalhoso. Os profissionais que trabalham em fundos de investimento fazem análises detalhadas para decidir se a idéia será validada e retornará múltiplos 10x, 100x, 1000x no máximo em 10 anos.

Ao entender esse objetivo, é preciso mostrar a capacidade de entrega do time que irá trabalhar na idéia e como será o crescimento exponencial.

Estória do Watanabe-San

Para exclarecer todos os pontos citados neste artigo, vamos contar uma estória, fictícia, baseada numa idéia de produto para o mercado japonês.

Watanabe-San, um comerciante japonês, em sua primeira viagem ao Brasil em 2001, foi visitar o Pará e viu que os nativos comiam uma fruta de tom escuro, amassada, que diziam, era energética. Achou interessante e pesquisou mais sobre o tal do “AÇAÍ”.

Descobriu que além de ser uma fruta típica da Amazônia, tinha propriedades nutricionais valorizadas pelos patrícios do arquipélago nipônico. 2 pontos que ele acreditava relevantes para o mercado no Japão. A combinação de alimentos funcionais com a ecologia.

Teve a idéia de transformar em produto e para levar ao mercado, respondeu as 7 perguntas:

  1. Quando? Abriria sua empresa logo depois a copa do mundo em 2002/11/21 e lançaria produtos relacionados ao Brasil, para aproveitar o momento após a vitória do Brasil na copa do mundo na Ásia. Timing!
  2. Por que? Alimentos funcionais de frutas exóticas para ajudar na alimentação dos japoneses e contribuir para a economia de agricultores do Brasil, muitos deles, descendentes de japoneses.
  3. Onde? Primeiro nos supermercados, depois nas lojas de conveniência e com lojas próprias.
  4. Quem? Japoneses classe média alta, que buscam a alimentação mais saudável e se preocupam com temas como ecologia e sustentabilidade. E também Japoneses que tenham ligações com o Brasil, mesmo que através da paixão pelo futebol ou os 500 mil participantes do evento Carnaval de Asakusa.
  5. Quanto? $ 20/Kg ao custo de $10/Kg, lucro de $10/Kg
  6. Canal? B2B vendas no atacado aos distribuidores e varejistas.
  7. Eu/Time? Parceria com distribuidores e atendimento direto aos varejistas.

Watanabe-San tinha experiência no mercado e conhecia muitos distribuidores de alimentos. Um deles, amigo de longa data, investiu na sua idéia, como anjo $500.000. Com o capital, importou para o Japão, de avião, uma pequena quantidade para fazer testes no mercado (MVP). Visitou dezenas de empresas para apresentar o produto.

Os clientes informaram que o produto precisava de uma embalagem mais atraente, pois a fruta não era conhecida e seria difícil de ser vendida. Depois de muitos testes em design e experimentos no produto, chegou a um suco de açaí numa embalagem parecida com a latinha de redbull mas em caixinha de papel (Kaizen).

Conseguiu chegar ao produto ideal em 2009, mas necessitava de mais capital, visitou 20 fundos de venture capital e conseguiu um que aportou mais $1 milhão na sua idéia (Growth). Com a condição de que ele retornasse 10x o valor em 5 anos (saída do investidor). Formou um time e conseguiu colocar o produto em todos os pontos de vendas premium do arquipélago.

5 anos depois, para retornar 10x o capital ao investidor, fez seu IPO na Bolsa de valores. Apesar de todo o crescimento e pioneirismo com o açaí, Watanabe-San não conseguiu inovar mais no mercado e as vendas caíram. E as ações caíram também.

Mas, Watanabe-San realizou todas as promessas iniciais, desde a idéia, o investimento, até o IPO para o retorno ao investidor. A partir do IPO, se a empresa consegue inovar, o crescimento pode ser mais exponencial. Veja mais nesse artigo.

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