Saiba porque Venture Capital não é capital de risco no Japão

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Na definição “wikipediana”, para Venture, temos “A venture may be defined as a project prospective converted into a process with an adequate assumed risk and investment.”, na tradução livre, um projeto prospectivo, convertido em um processo com adequado risco assumido e investimento.

Antes de assumir o risco, há o projeto e um processo. Esse processo é baseado nas análises que todos fazem antes de assumir o risco. Seja o idealizador ou o investidor. Por isso, a tradução para o português como capital de risco, não traduz o espírito empreendedor do Venture Capital, que no Japão também é denominado Venture Capital sem associação a risco como fator principal “ベンチャーキャピタール”.

O Venture Capital nos EUA antes da II Guerra, era provido apenas por HNWI ou famílias ricas, nos dias atuais, profissionalizados como Angel Investors e Family Offices. A partir de 1946, surgiram as empresas de Venture Capital com propósitos claros, como a ARDC, com a tese de investir nos soldados que retornavam da guerra. E conseguiu 1200% de ROI no IPO da DEC em 1966. Um dos funcionários da ARDC fundou a Greylock Partners, uma das maiores VC dos EUA. Uma prova de conceito e crescimento exponencial.

O Japão seguiu o exemplo a partir de 1963 com a criação de 3 empresas de VC:

Mas, se o sucesso dos VC’s for medido pelas saídas, a JAFCO, criada pela Nomura em 1973, é o melhor exemplo, com 1.000 IPO’s ao redor do mundo, 79% no Japão. Com dezenas de startups produtoras de software.

Brasil Venture Capital

Esta diferença de divulgação do Venture Capital como capital de risco no Brasil, afeta a percepção dos investidores em startups e consequentes aberturas de capital. Antes de olhar o propósito de um empreendedor, o público encontra o risco na frente.

No Japão, a Mothers (seção da Bolsa de Tokyo onde as startups fazem IPO) é o ponto de partida para o crescimento exponencial, pois os japoneses PF investem e acompanham o dia-a-dia da startup. É normal encontrar startups que trabalham com comunicados a imprensa desde o primeiro ano de atividades. Quanto mais conhecimento, menos risco, mais pessoas dispostas a investir nas startups.

A história do Venture Capital moderno nos EUA, iniciada nos anos 60/70 em “hardware”, retornou nos anos 80/90, foi reinvestida em “software” e após a virada do século, mesmo com o “crash pontocom”, formou gigantes do software como Amazon, Google, Facebook, etc.

No Japão, o investimento nos anos 60/70 em “hardware”, retornou nos anos 80/90, foi reinvestido em “hardware” e após a virada do século, dentre as poucas teses de investimento em “software”, temos o exemplo de sucesso da Softbank e JAFCO.

No Brasil, o Venture Capital destinado a tecnologia, começou a ser investido na virada do século, pois a instabilidade econômica e política dos anos 60~90 não deram espaço para pensar no futuro. O retorno começou a ser percebido com a venda do Buscapé, há menos de 10 anos atrás. Os fundadores reinvestiram em “software”, um grande marco para o ecossistema brasileiro. O que acontecerá nos próximos 10 anos?

Apesar do movimento Venture Capital de investimento em “hardware” ter iniciado na mesma época nos EUA e Japão, a estratégia americana deu mais resultado na sequência, reinvestindo em “software”. Podemos afirmar que o Brasil conseguiu se aproximar do Japão no Venture Capital em “software”, ao comparar o número de unicórnios em 2018.

As empresas de Venture Capital dos EUA, enxergaram o potencial do software no Brasil e há casos de startups brasileiras competindo de forma global. As empresas de Venture Capital do Japão, investem na Ásia e em alguns casos nos EUA. Como a Softbank.

Há 3 sinergias para colaboração entre as empresas de Venture Capital do Brasil e Japão, com consequente retorno nos próximos 10 anos:

  • Asionalização de startups brasileiras com apoio das empresas de Venture Capital do Japão
  • Brazionalização de startups japonesas e asiáticas com apoio das empresas de Venture Capital do Brasil
  • M&A’s de startups brasileiras e japonesas nos dois países

Os japoneses ainda enxergam o Brasil como terra de commodities, futebol, amazon e carnaval. As notícias recentes de unicórnios e IPO’s bilionários ainda estão restritas a poucas pessoas do ecossistema de startups.

Para mudar esse cenário, as startups brasileiras precisam atender os nativos. E por outro lado, as startups japonesas atenderem os brasileiros. Mesmo no B2B, os casos ainda são raros.

No próximo post, selecionarei algumas startups com potencial de expansão no Brasil.

Desde 2015 mantenho lista atualizada com mais de 1.000 deals de VC’s e startups do Japão de diversos setores: Agritech, AI, Biotech, Construtech, Drone, Edtech, Fintech, Games, HRtech, IoT, Marketplace, Robot, VR, etc. Entre em contato para saber mais.

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