O que você lê sobre o Japão?

Talvez você leia notícias em português, ou em inglês. Se fizer parte da minoria, lê em japonês. Mas esse Japão, como o Brasil lido na língua estrangeira, talvez não seja o mesmo que nós, brasileiros no Japão, vivemos.

Você já leu sobre a febre da Tapioca Milk Tea?

Sabia que esse chá existe no Brasil também?

https://www.uol.com.br/urbantaste/noticias/redacao/2018/09/10/explosao-de-sabor-casas-que-servem-bubble-tea-em-sao-paulo.htm

O que escrevem sobre o Japão na mídia?

Que o país vive problemas devido ao envelhecimento da população. Não é 100%, há uma ilha paradisíaca chamada Okinawa, onde estão concentrados os japoneses mais velhos do mundo, e tem se tornado um destino de brasileiros em férias e até moradia fixa para alguns. Até uns 5 anos atrás, não ouvia os brasileiros falarem sobre escolher Okinawa para morar. A maioria escolhe os locais para morar devido a proximidade com o trabalho e a concentração de brasileiros. E a única província japonesa com crescimento populacional.

Que o nível de empreendedorismo é baixo. Talvez até seja em números macros. Mas você conhece, no Brasil, empresas que incentivam o intraempreendedorismo da mesma forma que a Recruit, DeNA e a Cyber Agent? Que além de incentivar a abertura de novos negócios internos, oferecem capital de risco, através de fundos corporate venture, para empreender fora da empresa? Há dezenas de jovens que saíram dessas empresas e fundaram startups e até mesmo outros fundos de venture capital.

Que os japoneses não se arriscam. Em termos macros, o Japão investiu na China, transferiu tecnologia para as fábricas chinesas, e depois investiu em vários países do sudeste asiático. Em 2004, haviam 20 mil empresas japonesas investindo na China, e empregavam mais de 9 milhões de trabalhadores chineses. E mesmo com o aumento de custo da mão de obra, as empresas japonesas continuaram investindo na China, pois o poder aquisitivo dos chineses aumentou. Hoje o mundo enxerga a China como o país da tecnologia e inovação, mas os japoneses se arriscaram nos anos 80. E quem enxerga isso hoje no Vietnâ?

Que o ecossistema de Startups não é relevante, pois medem a quantidade de unicórnios, ou empresas privadas de crescimento exponencial que atingem $1B de valuation. O ecossistema de Startups é um ciclo, que inicia no empreendedor, chega na saída em M&A/IPO e esse empreendedor reinveste em outras startups. Parte importante desse ecossistema são os fundos VC, e a Jafco, além de ter feito mais de 1.000 IPOs, iniciou o ciclo da Softbank. Que hoje é o maior investidor em startups no mundo.

O sentimento

Talvez o sentimento sobre os japoneses seja o trabalho duro, o afinco aos estudos e a comida saudável. Mas isso tudo é coisa do passado. Os millenials não enxergam o Japão da mesma forma como os baby boomers. Entendem que mesmo investindo em estudos e trabalho duro, não terão aposentadoria, e a comida saudável está cada dia mais cara em relação aos fast-foods.

Para entendê-los, é preciso viajar ao Japão e conversar com eles. E essa geração, que adotou a Tapioca Milk Tea como uma bebida cool, não se apega mais a trabalhos duros como antigamente. Visite uma fábrica japonesa e verá quem está lá produzindo dia e noite. Esses millenials tem a sua disposição, capital e mentores dispostos a investir neles a qualquer momento que fizerem um pitch.

E esse sentimento, antes ligado apenas a Tokyo e Osaka, começou a se espalhar, a partir do momento que Fukuoka elegeu seu jovem prefeito Soichiro Nakashima que exponencializou os benefícios que a região tinha a seu favor, para globalizar e atrair startups para lá. Com a reeleição, outras cidades japonesas começaram a copiar esse modelo, e o ecossistema japonês não será mais restrito a Tokyo e Osaka.

Há empresas bilionárias espalhadas ao redor do Japão, há faculdades de tecnologia, há incentivo governamental, há eventos, capital, e a indústria automobilística mundial (carro chefe do Japão) passa por uma transformação de base energética e uso. Carros elétricos e MaaS, exigirão das indústrias japonesas um novo foco, e deve ser veloz.

Um bom exemplo dessa transformação é a Musashi Seimitsu uma empresa de 80 anos, que decidiu investir no ecossistema de startups no interior do Japão, abrindo um co-working e movimentando a região. Nessa cidade do interior, já há 3 co-workings, e a febre da Tapioka Milk Tea chegou lá também. Quer ouvir mais sobre o Japão?

Anúncios

Deixe uma resposta