A Nike, o Corinthians e os brasileiros no Japão

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As redes sociais são recheadas de informações, relevantes ou não. Alguns criam, outros copiam e assim o conteúdo roda o mundo. A Nike e o Corinthians estão fazendo ações de Marketing com foco no Mundial de Clubes da Fifa e os dois já tiveram resultados virais.


O Corinthians fez um vídeo com legendas e intro em japonês além de um site com a localização dos infectados pela campanha “locospirose“, comentado até na Nippon TV, emissora oficial dos jogos. Uma das melhores ações de um clube brasileiro para internacionalização através de mídia digital. Só faltou trabalhar um pouco mais no “Inbound Marketing”, a princípio se fizesse uma página oficial em lingua japonesa para contar a história do time até chegar no mundial e linkar no vídeo acima.

Na busca por “コリンチャンス” no Google em japonês mostra mais de 1 milhão de resultados e o site oficial está somente em português, espanhol e inglês. Um desperdício, pois os cliques devem ir para a Wikipedia, onde os japoneses encontram informações sobre o clube brasileiro na sua língua. No Brasil achamos que os japoneses entendem a língua inglesa, mas é um mito.

A Nike, fechou um contrato com o clube no valor de $ 300 milhões por 10 anos, colocou um outdoor próximo ao estádio do Chelsea e no Japão, fez uma ação num caminhão com caracteres em japonês e português, veja as fotos da Karina Kato.

Nike-Corinthians foto: Karina Kato

Nike-Corinthians foto: Karina Kato

Corinthians-Nike foto: Karina Kato

Corinthians-Nike foto: Karina Kato

Acredito que este caminhão estará rodando o estádio de Toyota no dia do jogo, da mesma forma que o da Coca-Cola percorreu o local em dezembro do ano passado durante a visita do Santos ao Japão. Era um caminhão luminoso com um motorista vestido de papai noel. Veja a foto neste blog em japonês.

Os clubes brasileiros podem fazer muito mais para se globalizar, ou mesmo se “Asionalisar“, e isto serve para as marcas brasileiras também, como havia comentado nesse post “convidativo“. Os clubes europeus atraem jogadores japoneses a preço de “banana” e ganham visibilidade no Japão, além de resultados financeiros como no caso do Kagawa que saiu do Cerezo Osaka para o Borússia Dortmund por € 350.000 (menos de R$ 1M) e 2 anos depois foi contratado pelo Manchester United por € 22 milhões (R$ 58 milhões).

Para meu próximo post, pedi fotos de produtos aos amigos nas redes sociais para escrever sobre o Marketing das empresas brasileiras no Japão. Para finalizar, achei excelente a estratégia da New Sky , uma Landing Page com link no site oficial do Corinthians para atrair os brasileiros que quiserem fazer compras de eletrônicos no arquipélago. Acredito ser a primeira ação de marketing em mídia digital deste nível entre as empresas que eu conheço por aqui, parabéns a equipe.

Mudança de hábitos

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Se eu tivesse estudado engenharia, o tema de hoje poderia ser “Plataformas de comunicação”. Porém, apenas analiso o comportamento das pessoas para ajudar empresas a vender mais e inovar.

Inovação significa novidade ou renovação, e está mais ligado a ciência do que ao comportamento humano. É a geração de melhoria nos processos. Justo o que a Encyclopædia Britannica resolveu fazer depois de 244 anos, uau!

Hoje é um marco histórico, e para quem trabalha com impressos, deve ter levado um susto enorme. Quando uma empresa bicentenária toma uma atitude dessas, mexe com todo o mercado mundial. A frase deles é “Looking Ahead” e “Change: It’s Okay. Really.”

Alguns dias atrás havia escrito um post com o título “As revistas e jornais vão acabar?” no qual comentei sobre a comunicação de duas vias. Um questionamento em relação as mudanças de hábitos dos consumidores.

A mídia impressa passa muita credibilidade para o consumidor, talvez pelo fato de utilizar o tato e visão no ato de ler um anúncio ou texto. O que poucas empresas enxergam ou não querem ver, é o fato de termos na plataforma digital, a possibilidade de atingir mais sentidos com a utilização de dispositivos novos, como os TABLETS.

Com um iPad ou similares, pode-se utilizar vídeos e botões de toque. Desta forma, utiliza-se o tato, visão e audição. Criando assim, um ambiente para a interação com o conteúdo, o que gera a comunicação de duas vias, onde o consumidor pode enviar o link para outras pessoas, fazer comentários, gostar ou não através dos botões interativos.

Nos anos 90, haviam 3 jornais impressos editados para a comunidade brasileira no Japão. Quando comecei a trabalhar com impressos grátis em 2004, eles ainda estavam em circulação. Algumas pessoas desta época reclamavam que as revistas gratuitas tinham acabado com o mercado de jornais pagos.

Hoje, através da notícia sobre a Britânnica, temos a resposta sobre os questionamentos e reclamações. Foram as pessoas que mudaram seus hábitos, pois as revistas gratuitas na comunidade não utilizavam textos factuais. Os jornais perderam espaço para a mídia digital, pois o acesso ao conteúdo do Brasil, que antes dependia de conexão de tv por assinatura ou textos impressos publicados com “Lag“, se tornou acessível no mesmo instante que da publicação online do outro lado do mundo.

A internet, a partir do começo do século XXI, trouxe a rapidez e redução de custo para se obter informação em português no Japão e em outros países do mundo. Com isso, grandes portais como UOL, Terra e outros, ganharam acesso dos brasileiros no exterior. Fato que contribuiu para a diminuição das vendas dos jornais e o alcance dos anúncios publicados nos mesmos, pois a maior parte do conteúdo vinha de agências de notícias.

No ano de 2005, quando o mercado publicitário da comunidade estava no auge, bancos, telefônicas, empreiteiras e empresas do setor de transporte investiam valores consideráveis, e diversas revistas entraram no mercado para competir por um pedaço do bolo, que girava talvez em torno de $ 10 milhões/ano. Em 3 anos, o faturamento dos jornais foi fatiado por cerca de 30 revistas e projetos impressos. Resultado, os jornais pararam de ser editados.

O que deve-se enxergar é que a internet abriu o caminho para a informação gratuita e de distribuição sem limites de fronteira. Mudou hábitos de leitura dos consumidores, em especial os brasileiros no Japão, carentes de informação em português. E há um novo hábito na comunidade brasileira no arquipélago, o ato de fazer negócios online. As empresas precisam inovar e enxergar as novas plataformas digitais para se comunicar com os consumidores, pois a comunicação online é uma realidade na comunidade brasileira no Japão. A ótima banda larga móvel, faz com que uma pessoa consiga fazer compras ou vendas online no intervalo de 10 minutos de descanso da fábrica, de dia ou de noite, esteja em Gunma, Aichi ou Okinawa.

Fonte: Britannica.com e Wikipedia.org