Mortes no trânsito

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40 mil mortes no Brasil em 1 ano

Imagine o “Itaquerão” lotado. Ou toda a população de Jacarezinho. Este é o número de mortes por acidentes de trânsito no país da Copa. Número que gera R$ 40 bilhões em gastos para os cofres públicos de acordo com José Viegas, Secretário Geral do ITF. Está aí um dos motivos de revolta quando alguma cidade “ganha” 1.000 empregos por conta da instalação de uma montadora de veículos que retorna em possíveis óbitos em alguma outra cidade brasileira.

É um contraste muito grande sair do Japão, que tem 1 carro para cada 2 habitantes e apenas 10% do número de mortes. E ver as notícias de acidentes num país como o Brasil, que tem metade da proporção.

De acordo com Luiz Flavio Gomes, os passos para diminuir esses números são os seguintes 1) Educação, 2) Engenharia (das estradas, das ruas e dos carros), 3) Fiscalização, 4) Primeiros socorros, 5) Punição e 6) Consciência cívica e ética do cidadão (EEF + PPC).

O que eu presenciei em pouco tempo de Brasil é que os números (1) e (2) não estão sendo cumpridos de forma intensiva. Partindo para o (3) e pulando para o (5). O (6) é um problema cultural, bem mais difícil de se resolver.

Acredito que com educação e engenharia das estradas e ruas, melhoraríamos bastante o trânsito. Em consequência, teríamos menos stress e aumentaríamos a produtividade do país. Quando isso vai acontecer por aqui?

Voltar ou ficar? Eis a questão!

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Torii

Torii

Hoje li uma matéria num site de Portugal que relata o dilema de brasileiros que vivem em determinadas regiões com grande concentração de imigrantes. Link completo abaixo para mostrar o título.

http://www.publico.pt/Local/regresso-de-imigrantes-brasileiros-afecta-economia-de-zonas-como-a-costa-da-caparica-e-ericeira-1541357?p=1

O mais interessante é notar a palavra “IMIGRANTES” na matéria. Apesar dos comentários (de leitores) de rodapé descreverem que há certa discriminação em relação aos trabalhadores, pelo menos por lá, não são taxados de “DEKASSEGUIS”.

Alguns pontos me chamaram atenção, tanto na matéria quanto nos comentários. A quantidade de portugueses no Brasil é bem maior que de brasileiros em Portugal. Até a década de 80, o número de japoneses no Brasil, também era maior do que o de brasileiros no Japão.

http://www.saopaulo.sp.gov.br/imigracaojaponesa/curiosidades.php

Portugal e Japão tem traços semelhantes na história da formação do povo brasileiro. O primeiro, desde o descobrimento e o segundo, há mais de 100 anos. Acredito que falta para o Brasil, fazer mais propaganda no exterior. Mostrar o que os imigrantes construíram em terra brasílis.

Os estrangeiros só vêem futebol, carnaval e agora (por incrível que pareça) a economia do Brasil. Falta mostrar o povo trabalhador para o mundo.

Pelo visto, em Portugal os brasileiros trabalham bastante, criam valor na economia. No Japão também, mas a mídia explora apenas os fatos ruins. As extensas jornadas de trabalho que ajudam a movimentar bilhões no país, não são noticiadas.

Este é o grande problema do Brasil. Falta marketing. Mostrar que além de jogar futebol e dançar samba (todos pensam que nascemos sabendo), ajudamos na construção de um país.

Agora vem o dilema. O povo trabalhador acostumou-se com a estrutura, educação e cultura desses países desenvolvidos. A estrutura pode-se até construir em pouco tempo, basta aparecer mais uns 3 Batista’s. A educação, se os investimentos não forem desviados, podem render frutos daqui duas ou três décadas. Mas a cultura, se não for para vivê-la, vamos sentir falta um dia.

Imagem: Wikipedia.Org

Descubra quem são Gree e DeNa – os zyngas japoneses

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Saiba quem são Gree e DeNa

Link da imagem original abaixo

Em  2010, comentei sobre a corajosa mudança na comunicação (inglês como língua oficial) de duas empresas japonesas com grande expressão global nos dias de hoje, Rakuten e Uniqlo. A primeira, como foi noticiado ano passado, comprou 75% de uma das mais antigas empresas de e-commerce do Brasil, a Ikeda. Conseguiu em menos de 1 ano, inserir no seu marketplace uma quantidade enorme de marcas e lojas brasileiras e lançou o seu programa SuperPoints, muito utilizado aqui no arquipélago pelos seus milhões de usuários.

Outro projeto interessante que podemos ver em ação no Brasil, é o suporte aos empreendedores, com cursos e seminários, noticiados no blog da Rakuten Brasil. Ação que é feita também no Japão, com a Rakuten University e os seminários para empreendedores em diversas regiões japonesas. Com isto, o mercado digital brasileiro vai ganhar qualidade e pode abrir caminho para outros negócios nesse setor.

Da mesma forma que a Rakuten trabalha para que as empresas comercializem seus produtos e serviços. Há duas outras empresas japonesas que podem chegar ao Brasil em breve e devem aproveitar um setor com poucas marcas de expressão. Os serviços para plataformas móveis.

Quem acompanha as notícias sabe que o povo brasileiro é social e grande utilizador das plataformas como Orkut, Twitter e Facebook. Porém, há poucas empresas brasileiras investindo nesse mercado, a não ser a Vostu, conhecida pelo sucesso dos jogos sociais como o Mini Fazenda, semelhantes aos da Zynga, popular pela família de jogos *Ville.

Mas vamos aos japoneses, que nem são mais tão orientais assim. A Gree, maior rede social do Japão, com 26 milhões de usuários no Japão e 140 milhões no mundo, depois da aquisição da plataforma Openfeint, cresceu 4.000% nas vendas de 2008 a 2010 e teve 52 bilhões de páginas vistas em aparelhos móveis em dezembro de 2010. Números impressionantes, para uma empresa que foi fundada em 2004, por um ex funcionário da Rakuten, Yoshikazu Tanaka, que desenvolveu a rede social nos tempos livres de trabalho.

Com a missão de fazer um mundo melhor através da Internet, já destaca suas pretensões de não haver barreiras territoriais para parcerias e aquisições focadas nas redes sociais, games e plataformas cloud. Tendo formado em 2011, parcerias com a Tencent, maior provedora de serviços online da China, que conta com 600 milhões de usuários e a Mig33, com 47 milhões de users no sudeste asiático. Nessa rápida expansão e com o crescimento nas vendas de smartphones no Brasil, é bem provável que Gree seja um dos nomes orientais a chegar em breve no país.

E tem mais, a DeNa, que em 2011 comprou o time de Baseball (Yokohama DeNa Baystars), seguindo os passos da Rakuten (Tohoku Rakuten Golden Eagles), também com visão global e segue fazendo aquisições e parcerias na velocidade da internet. A empresa fundada por Tomoko Namba num pequeno apartamento em Tokyo, iniciou suas operações em 1999, com o site de leilões Bidders, mas já no início teve problemas com serviços terceirizados (mudou estratégia e desenvolveu seu próprio sistema) e com a concorrência do Yahoo Auction, no ano 2000, começou a oferecer serviços de e-commerce em aparelhos móveis e a partir daí ganhou muita experiência nesse setor, lançando a plataforma de leilões para celulares “MobaOku” que em português poderia ser “Leilões móveis”. A partir daí, mudou sua estratégia para se tornar a número 1 em plataformas de celulares e em 2005 da lançou suas ações na bolsa de Tokyo Mothers.

Com muito dinheiro em caixa e diversas aquisições por todo o Japão, chegou ao topo do mercado móvel em 2010 depois de fechar parceria com o Yahoo Japan, seu antigo competidor. Em 2011, operações nos EUA, Canadá, Europa e Asia já estavam funcionando. Falta um ponto na América do Sul, o que pode indicar que em breve, Mobage e DeNa, podem ser mais duas palavras globais importadas do país do sushi e sashimi.

Créditos da imagem: http://www.flickr.com/photos/87292528@N00/2230231

As remessas, Angelo Ishi e os engenheiros transnacionais

Engenheiros transnacionais
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Engenheiros transnacionais

Engenheiros transnacionais

Ao pesquisar na internet e o termo “Transnacionais”, achei um paper do Angelo Ishi (pensei que fosse Angelo Ishii), apresentado na “Joint Conference on Remittances”, 12-13 de setembro de 2005, ADB, Manila, Filipinas.

Em inglês, o título da apresentação é:
REMITTANCES FROM JAPAN TO BRAZIL: TRANSNATIONAL CONNECTIONS OF “DEKASSEGUI” MIGRANTS.

Quem não é do Japão, precisa conhecer Angelo Ishi. Vale a pena descobrir sobre o professor, pois considero um dos poucos brasileiros no Japão que impõe respeito perante a sociedade japonesa. As suas opiniões e estudos são amadas ou odiadas, mas muito respeitadas entre os intelectuais e políticos no arquipélago. Sua fala calma, tem a força de um trovão, que se faz ouvir a quilômetros de distância. Infelizmente, Ishi não é adepto as novas tecnologias, ainda não tem Twitter, onde poderia divulgar suas opiniões no meio digital. Quem sabe lendo isso, Ishi comece a fazer um podcast talvez.

Voltando ao paper, achei interessante que a ADB (Asian Development Bank), logo acima do título, tenha escrito de forma explicita que as visões de Ishi, não são necessariamente as mesmas que a deles. Ok! Você convidaria alguém para palestrar, que não tivesse a mesma visão que a sua? (Só se esse palestrante fosse muito bom mesmo hehe)

A palavra “Transnational” que traduzo de forma livre para “Transnacional”, foi o que me chamou atenção. E, se foi escrita por Ishi, valeu-se de alguma pesquisa. Já vi alguns artigos de Iida, Kajita e Ouchi. Mas, há pouco material em português. Achei bastante em espanhol. Portanto, não sei a terminologia correta, se alguém souber, por favor, comente.

Ishi cita que o termo “Dekassegui”  foi incluído no dicionário Houaiss como “Migrantes brasileiros no Japão”. Mas, muitos migrantes não gostam do termo, considerando pejorativo. Que tal este “novo”, “Transnacional”?

O termo “Dekassegui”  no Japão, surgiu depois do final da segunda guerra mundial, quando iniciou-se o milagre econômico do país. Era dado as pessoas que saíam de lugares agrícolas, como Hokkaido (Norte) e íam para regiões como Tokyo e Osaka para trabalhar, principalmente no setor de construção.

Em kanji 出稼ぎ, 出 (De) – vem do verbo sair, e 稼ぎ (Kassegi) – significa juntar dinheiro. Entnao seria sair para juntar dinheiro?

Mas juntar dinheiro para quê?

A grande maioria dos brasileiros que vieram para o Japão no início do movimento “dekassegui”, tinham o sonho de comprar bens materiais, como casa, carro e abrir seu próprio negócio. Nascidos na década de 60 e 70, conviveram com as notícias do “boom” econômico vivido pelo Japão pós guerra, reconstruído com muito minério de ferro vindo do Brasil, através de contratos fechados com a Vale do Rio Doce.

O Japão devastado na guerra, aproveitou toda sua infra-estrutura e industria, antes ligada a armamentos, para produzir e exportar automoveis e peças, através de inúmeros portos, para os EUA e Europa, onde diversos países também viviam seu crescimento econômico.

Na década de 90, já havia notícias de brasileiros conseguindo realizar sonhos “dekasseguis” nos EUA. Portanto, não era algo novo sair do país e tentar a vida no exterior. Junte-se a isto, a oportunidade de conhecer a terra dos ancestrais e escapar das constantes crises monetárias vividas no Brasil.

Neste início, famílias foram separadas, tanto na saída do Brasil, vindo somente o cônjugue, como dentro do Japão, quando os homens iam para as fábricas do setor automobilístico e mulheres iam para as do setor eletrônico, as vezes em cidades distantes ou mesmo trabalhando em turnos diferentes.

As palavras nesta época eram saudade e poupança. Para a saudade, haviam dois remédios, as cartas e ligações internacionais. Para a poupança, tempo era dinheiro, quanto mais horas trabalhando e “juntando”, mais rápido seria a volta ao Brasil.

Como a vida era limitada a trabalho, saudade e poupança, faltou espaço para família, cultura e educação. Estas duas últimas, citadas em diversos artigos atuais, relatando problemas mas poucas soluções.

A saudade foi diminuindo com o surgimento de inúmeros serviços direcionados a esses “Transnacionais”. Importação de roupas, alimentos e bebidas brasileiras, jornais em português, ligações telefônicas acessíveis, baladas e remessas por bancos brasileiros. Com isso, a vida ficou mais fácil no país dos kanjis. As escolas brasileiras “aconteceram” para suprir a demanda das famílias que se formaram no Japão e acabaram também ajudando na vinda das crianças, as vezes sozinhas estudando no Brasil.

Ishi afirma que em 2005, as remessas dos brasileiros no Japão para o Brasil, eram de US$ 2 bi, com contribuição de US$ 250 milhões em taxas aos governos do arquipélago e no mínimo US$ 350 milhões em gastos com ligações internacionais. A média dos mais de 33 mil correntistas do Banco do Brasil era de US$ 25 mil, o que dava um total de US$ 850 milhões.

Ishi, mostra o crescimento dos migrantes brasileiros no Japão, de 176.440 em 1995 para 286.577 em 2004. A teceira maior comunidade de estrangeiros no país. Acrescenta que esse número poderia ser maior, pois ainda havia muitos descendentes da primeira geração que não contavam como migrantes e tinham nacionalidade japonesa. A maioria dos que vieram no início eram homens, solteiros, economicamente ativos, entre 20 e 39 anos, vindo a equilibrar-se em 2003, quando haviam 151.136 homens e 123.564 mulheres. Devido ao crescente número de pedidos de visto de residencia permanente, ele pergunta se poderia trocar o termo “Dekassegui” para “Imigrante”.

Voltando ao tema “Remessas”, Ishi comenta que o Banco do Brasil detinha a maior parte do mercado, mas que dois grandes bancos brasileiros haviam iniciado suas operações. Bradesco e Itaú.

Ishi menciona a capanha, “Seguro para quem envia, fácil para quem recebe” e “A maneira mais simples e rápida de enviar segurança”. Nesta época, metade das remessas eram feitas em quantias de US$ 500. E, enquanto que apenas 2% das remessas a partir dos EUA e Europa superavam US$ 1.000, no Japão, havia chegado a 19%.

Ishi também cita dois veículos de mídia comunitários para mostrar que haviam duas tendencias na comunidade, a dos que investiam no futuro e os que preferiam aproveitar os bens materiais disponíveis apenas aos que vivem num país de primeiro mundo.

Menciona uma pesquisa da IDB Survey, onde aparece o dado que 46% das remessas serviam para gastos diários e 54% para investimentos. Indicando que mais da metade dos que recebiam as remessas não dependiam desta fonte para sobreviver.

De acordo com Ishi, metade dos que responderam que dependiam das remessas para sobreviver, eram de regiões menos favorecidas no Brasil. Enquanto que nas cidades mais desenvolvidas, quase a totalidade não dependiam das remessas.

Ishi, cita também o fato que muitos dos “dekasseguis” conseguiram realizar o sonho do carro e casa própria. Chegando a inflacionar o preço de imóveis em pequenas cidades como Maringá/PR. Na sua percepção, a época, era preciso ajudá-los a atingir o terceiro sonho que era, ter seu próprio negócio. Pois, de acordo com a mesma pesquisa da IDB Survey, 40% dos respondentes disseram que pretendiam ter seu próprio negócio.

Ishi comenta ainda um fato interessante, em 1994 ele conduziu uma pesquisa entre os clientes do Banco do Brasil, com o nome de “Realize o seu sonho”, onde 3.293 pessoas responderam um questionário, e 34.86% responderam que desejavam abrir seu negócio no Brasil, e apenas 2.01% no Japão. Na pesquisa mais recente do IDB Survey, lançar o negócio no Japão subiu para 14% e apesar de insignificante, atentou que 1% desejavam empreender em outros países. Cita o caso de uma família de “dekasseguis” que investiu em um resort em Bali, Indonésia. Correlatando que muitos brasileiros em sua estadia no Japão, viajam para diversos países asiáticos e podem se interessar em se instalar nesses locais.

Dos 24% que responderam não se interessar em empreender, Ishi acredita que talvez sejam por dois motivos. Pessoas que estão conformadas com as perspectivas de longa estadia nas fábricas do Japão e os que desejam reiniciar suas vidas no Brasil como empregados, sem assumir riscos.

Havia ainda os 21% dos que responderam não saber (sem respostas) sobre abrir um negócio. Neste grupo talvez estejam incluídos as pessoas que não sabem quando e como voltar ao Brasil. Alguns poderiam querer abrir um negócio, mas talvez tenham medo da possibilidade de perder tudo (todas as economias que conseguiu no Japão).

Um grande medo para os potenciais empreendedores, de acordo com Ishi, seria a instabilidade econômica do Brasil. E um outro dilema seria manter o mesmo nível de renda que tinham no Japão, no seu retorno a terra natal. O que para ele, seria impossível, encontrar um trabalho ou empreender tendo mesmo rendimento, devido a grande diferença nos custos de vida nos dois países.

Ishi encerra com a frase: O desejo de se tornar “Transnational Entrepreneurs” ou na tradução livre “Empreendedor Transnacional”, mantendo um estilo de vida entre dois endereços em dois países.

Todos estes dados de 2005, mostravam uma tendência que foi completamente balançada em 2008… (estourou a bolha do milagre econômico americano).

Os resultados, todos acompanharam pela internet. E o Brasil, se tornou o destino dos “dekasseguis” do mundo. Chegando até a barrar Haitianos este ano.

Em 2005, ano em que Lula veio ao Japão e visitou a Expo-Business, deve ter notado a grande quantidade de famílias e crianças visitando a feira. Neste mesmo ano, o BID, investiu no projeto “Dekassegui Empreendedor” no Brasil. Talvez poderia ter investido no treinamento dos empreendedores no Japão, antes do retorno.

Fato concreto, quando a família tem filho(s), suas despesas aumentam. Aumenta-se também o risco para empreender. E se caso algo der errado, a criança vai sofrer sem ter como ajudar. Diferente dos casos de famílias pobres no Brasil, que não tem nada a perder, não tem comida, casa, inclusão social. Onde as crianças acabam ajudando, para sobreviver.

Os filhos de “dekasseguis” tem acesso aos mesmos benefícios que os filhos de japoneses. Vivem num país de primeiro mundo. Poderiam estudar exatas, principalmente engenharia industrial, que só perde no mundo para a Alemanha.

O projeto de US$ 3 milhões entre BID e Brasil, foi interessante para mostrar que “Dekassegui” combina com “Empreendedor”. A partir de agora, com o crescimento econômico do Brasil, as vesperas da Copa e Olimpíadas, é necessário realizar um novo estudo, para entender as demandas dos “Transnacionais”.

Essas pessoas que saíram de sua terra natal, trabalharam e viveram culturas diferentes, podem ajudar no crescimento dos seus países de origem. Seja na forma de “Empreendimentos Transnacionais” ou com seus filhos “Transnacionais”.

Um caso de sucesso para se espelhar é de um brasileiro que viveu por muito tempo na Europa, aprendeu a vender e amar seu país natal, e hoje é o 8o. homem mais rico do mundo. Ele está realizando “Empreendimentos Transformacionais” no Brasil e no início, só precisou de coragem e empreendedorismo para chegar onde está. Seu pai, outro que transformou o Brasil, estudou engenharia.

Três palavras importantes para o futuro dos “Transnacionais”, engenharia, empreendedorismo e coragem.

Fontes: http://www.wikipedia.org, http://www.iadb.org

O que o Brasil e a família Schincariol ganham com a Kirin?

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kirin

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O mercado de M&A (Fusões & Aquisições) global, se agitou no início de agosto, devido a compra da número dois no ranking brasileiro de cervejas. Algo que já vinha sendo discutido a meses. Mas, o que poucos esperavam era o nome Kirin aparecer como a compradora. Nada tão absurdo para analistas atentos, se contarmos os fatores negativos do mercado japonês em geral. Com o yen supervalorizado, consumo e população em declínio, além das catástrofes ocorridas esse ano, acredito que este é apenas o começo de um caminho sem volta. As empresas japonesas tem duas alternativas para sobreviverem, comprar posições ou iniciar operações no exterior a partir do zero.

Muitos acionistas da Kirin devem ter achado caro o valor pago pelo controle da Schincariol, o que se notou devido a queda das ações, um dia após o comunicado oficial da empresa. Esses acionistas, talvez ainda não entenderam que a compra de ativos no exterior é uma questão de sobrevivência, e não de crescimento, pois o mercado de cervejas está se consolidando, depois dos movimentos dos concorrentes globais nos últimos anos. Após, perdas anuais e a tentativa frustrada de união com a Suntory (Mais antiga distribuidora de bebidas do Japão) e a troca de comando no alto escalão da Kirin, nada mais correto que ir as compras no exterior, pois o objetivo da companhia é chegar em 2015 com faturamento de R$ 60 bi, com 30% vindo do exterior. Já estão sendo feitas várias operações na Ásia e Oceania, para se chegar a liderança nesses mercados e impedir a ação dos grandes players globais, que já dominaram a Europa e Américas. Essa ação no Brasil, não fazia parte do plano estratégico principal, mas é uma oportunidade única de ter uma fatia do mercado onde começar do zero, demandaria muito mais tempo e dinheiro. E o Brasil, é o trampolim para se chegar a outros países da América Latina.

Poucos brasileiros conhecem a marca japonesa Kirin, parte do Keiretsu Mitsubishi e patrocinadora oficial das seleções de futebol nipônica. Dentre essa minoria, estão os “Dekasseguis”, que hoje moram no Brasil. E também os brasileiros no Japão, uma rede “Transnacional” com mais de 1 milhão de pessoas, que já experimentaram os produtos da empresa aqui do outro lado do mundo. A marca Kirin Ichiban Shibori, mais vendida no arquipélago, é uma das preferidas dos brasileiros que aqui vivem. Ela tem boa avaliação no Brasil, e está acima da média das “premium” nacionais, de acordo com os comentários de usuários do site Brejas (http://www.brejas.com.br/cervejas/japao/kirin-ichiban/).

Mas os brasileiros conhecem a força de produção e distribuição da marca de Itu. E, a partir desta força, que a Kirin tem como aumentar sua participação no mercado brasileiro. Com seu know-how centenário, pode agregar sua tecnologia e distribuir mais produtos de qualidade ao consumidor. E pode ir além do setor de bebidas, pois o conglomerado japonês, tem diversidade de operações no setor químico e alimentício. Com grande investimento em P&R (Pesquisa & Desenvolvimento).

Distribuição é a palavra-chave para esta empresa japonesa, que coloca nas gôndolas do arquipélago as marcas Heineken, Budweiser e Johnnie Walker Black Label, além da famosa água mineral Volvic. E, como o seu slogan diz, “Good taste makes you smile”, o Brasil ganha uma empresa que deseja que você atinja um nível de alegria, experimentando produtos com sabor superior. E, somente para completar o título, a família Schincariol vai ganhar muito se souber sorrir e não fazer cara feia para o dinheiro e a tecnologia dos japoneses.

O Cara!

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Assumiu um risco enorme arriscando mais de US$ 20 bi, comprando a Vodafone Japan, empresa que estava tendo prejuízos ano a ano. Transformou a empresa, competindo com a NTT, a maior empresa de telecomunicações do Japão. Se tornou o homem mais rico do Japão. O cara que tem planos para os próximos 100 anos da sua empresa. Estou falando de Masayoshi Son – CEO da SOFTBANK.

Aqui o vídeo da sua apresentação em 2007 (em inglês).

Aqui o vídeo de sua apresentação em 2011 (em inglês).

As escolhas do passado

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energia

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Hoje li uma notícia sobre a crise nuclear japonesa. Falava da escolha feita pelo governo japonês, em 1974, logo após a crise do petróleo. Estamos em 2011 e só agora temos o resultado dessa escolha, que afetou de imediato uma localidade antes conhecida no Japão pela qualidade dos grãos de arroz, Fukushima. Em poucas horas no dia 11 de março, a notícia do terremoto seguido de tsunami (pronuncia-se com “t” mudo) se alastrou por todo o arquipélago e alguns dias depois balançou a economia mundial.

Quando acontece algo grave, procuramos rapidamente descobrir o culpado, e essa tragédia tem um fio mais longo do que podemos imaginar. A natureza não é parcial, mas nós somos. Nós escolhemos um culpado, as pessoas se sentem culpadas. O presidente da empresa Tepco, que administrava a usina nuclear de Fukushima, pediu demissão por sentir-se culpado.

Vamos analisar mais a fundo os acontecimentos, as escolhas. A usina estava num local com menos densidade populacional, alguém escolheu este local. Quando construíram e compraram os equipamentos, alguém escolheu as empresas e as pessoas. Outros tantos escolheram o governo de 1974, que decidiu investir em energia nuclear, propondo a cidades do interior a instalação de usinas em troca da idéia de que os jovens teriam um motivo para não abandonarem essas pequenas cidades em vias de extinção.

Acredito que o governo japonês na época em 1974 foi um grande vendedor de idéias. Pois conseguiu fazer com que a população dessas pequenas cidades aceitasse escolher o alto risco envolvido na construção das usinas. Hoje alguns devem estar protestando, mas foram os próprios ancestrais que fizeram a escolha.

Nós escolhemos usar energia produzida em larga escala, “necessárias” para nossa sobrevivência no mundo atual.

A maioria dos acontecimentos no presente, estão relacionados a energia. Seja ela vinda do petróleo, elementos radioativos ou energia da natureza. A natureza e as pessoas estão interligadas como a rede mundial de computadores. Quanto mais nos conectamos, mais energia é gerada ou desperdiçada. Cada um escolhe o que é melhor para si, mas devido a essas conexões, interferimos na vida de alguém próximo ou até o sexto grau de separação.

Acho que por isso eu gostaria de ter escolhido uma vida na beira do rio, pescando e apreciando somente a energia da natureza.

*artigo publicado no site Brasil247