Descubra quem são Gree e DeNa – os zyngas japoneses

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Saiba quem são Gree e DeNa

Link da imagem original abaixo

Em  2010, comentei sobre a corajosa mudança na comunicação (inglês como língua oficial) de duas empresas japonesas com grande expressão global nos dias de hoje, Rakuten e Uniqlo. A primeira, como foi noticiado ano passado, comprou 75% de uma das mais antigas empresas de e-commerce do Brasil, a Ikeda. Conseguiu em menos de 1 ano, inserir no seu marketplace uma quantidade enorme de marcas e lojas brasileiras e lançou o seu programa SuperPoints, muito utilizado aqui no arquipélago pelos seus milhões de usuários.

Outro projeto interessante que podemos ver em ação no Brasil, é o suporte aos empreendedores, com cursos e seminários, noticiados no blog da Rakuten Brasil. Ação que é feita também no Japão, com a Rakuten University e os seminários para empreendedores em diversas regiões japonesas. Com isto, o mercado digital brasileiro vai ganhar qualidade e pode abrir caminho para outros negócios nesse setor.

Da mesma forma que a Rakuten trabalha para que as empresas comercializem seus produtos e serviços. Há duas outras empresas japonesas que podem chegar ao Brasil em breve e devem aproveitar um setor com poucas marcas de expressão. Os serviços para plataformas móveis.

Quem acompanha as notícias sabe que o povo brasileiro é social e grande utilizador das plataformas como Orkut, Twitter e Facebook. Porém, há poucas empresas brasileiras investindo nesse mercado, a não ser a Vostu, conhecida pelo sucesso dos jogos sociais como o Mini Fazenda, semelhantes aos da Zynga, popular pela família de jogos *Ville.

Mas vamos aos japoneses, que nem são mais tão orientais assim. A Gree, maior rede social do Japão, com 26 milhões de usuários no Japão e 140 milhões no mundo, depois da aquisição da plataforma Openfeint, cresceu 4.000% nas vendas de 2008 a 2010 e teve 52 bilhões de páginas vistas em aparelhos móveis em dezembro de 2010. Números impressionantes, para uma empresa que foi fundada em 2004, por um ex funcionário da Rakuten, Yoshikazu Tanaka, que desenvolveu a rede social nos tempos livres de trabalho.

Com a missão de fazer um mundo melhor através da Internet, já destaca suas pretensões de não haver barreiras territoriais para parcerias e aquisições focadas nas redes sociais, games e plataformas cloud. Tendo formado em 2011, parcerias com a Tencent, maior provedora de serviços online da China, que conta com 600 milhões de usuários e a Mig33, com 47 milhões de users no sudeste asiático. Nessa rápida expansão e com o crescimento nas vendas de smartphones no Brasil, é bem provável que Gree seja um dos nomes orientais a chegar em breve no país.

E tem mais, a DeNa, que em 2011 comprou o time de Baseball (Yokohama DeNa Baystars), seguindo os passos da Rakuten (Tohoku Rakuten Golden Eagles), também com visão global e segue fazendo aquisições e parcerias na velocidade da internet. A empresa fundada por Tomoko Namba num pequeno apartamento em Tokyo, iniciou suas operações em 1999, com o site de leilões Bidders, mas já no início teve problemas com serviços terceirizados (mudou estratégia e desenvolveu seu próprio sistema) e com a concorrência do Yahoo Auction, no ano 2000, começou a oferecer serviços de e-commerce em aparelhos móveis e a partir daí ganhou muita experiência nesse setor, lançando a plataforma de leilões para celulares “MobaOku” que em português poderia ser “Leilões móveis”. A partir daí, mudou sua estratégia para se tornar a número 1 em plataformas de celulares e em 2005 da lançou suas ações na bolsa de Tokyo Mothers.

Com muito dinheiro em caixa e diversas aquisições por todo o Japão, chegou ao topo do mercado móvel em 2010 depois de fechar parceria com o Yahoo Japan, seu antigo competidor. Em 2011, operações nos EUA, Canadá, Europa e Asia já estavam funcionando. Falta um ponto na América do Sul, o que pode indicar que em breve, Mobage e DeNa, podem ser mais duas palavras globais importadas do país do sushi e sashimi.

Créditos da imagem: http://www.flickr.com/photos/87292528@N00/2230231

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As redes sociais na comunidade brasileira do Japão

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Ultimamente estou pesquisando bastante sobre as redes sociais dentro da comunidade brasileira do Japão. Aliás, analiso toda a comunidade desde 1990, quando cheguei no arquipélago nipônico.

O que mais me fascina neste estudo é que temos uma oportunidade incrível de vivenciar essa experiência fascinante da mistura de culturas totalmente opostas que foram feitas num país ocidental. Nossos avós foram para o Brasil levando uma tradição milenar para se juntar ao povo (carnavalesco) brasileiro. Nós, os descendentes de segunda, terceira e quarta gerações, viemos carregando toda essa diversidade prestes a explodir nessa ilha, que não é mais a cultura fechada de quando nossos antepassados emigraram para o país tupiniquim.

Ironia do destino, pois nossos avós, apesar de terem sofrido muito nos campos e ferrovias, experimentaram a sensação de viver num país sem tradição e aberto a novas culturas. Ao contrário de muitos de nós, que aprendemos a viver dentro de uma colônia fechada e rígida, mudamos para esta ilha, que antes era respeitada pela eficácia e qualidade, mas que agora está envolta de problemas políticos, comerciais e culturais.

Um dos grandes problemas do povo japonês é sua escrita importada da China. Quase tudo aqui é importado do país vermelho, até comida. Isso dificulta muito o acesso aos mercados internacionais. Diferente do Brasil onde usamos o alfabeto e todas as suas letras, por aqui tudo é conjugado em sílabas e não soletram algumas delas, que contém o L ou V. Curiosamente, a marca Louis Vuitton é famosíssima por aqui. Acredito que os franceses souberam aproveitar bem essa deficiência.

Qual a relação dessa escrita com as redes sociais?

1. Os japoneses vão levar mais 20 anos no mínimo para se adaptarem ao alfabeto completo. Fazendo com que empresas internacionais tenham que se adaptar a eles traduzindo seus sites ou se associando aos empresários locais, mudando alguns conceitos globais dos negócios.

2. Devido a algumas tecnologias muito avançadas terem sido lançadas no Japão primeiro, os jovens acabam se isolando por aqui e não interagem com o mundo ocidental, como no caso dos telefones 3G. E acabaram tendo que criar produtos específicos para a comunidade daqui, a exemplo do Mixi.jp

3. Poucos são os empresários japoneses que se destacam a nivel global, pois o sistema educacional nipônico, não incentiva a criatividade para desenvolver-se globalmente. Para se sobressair, é preciso estudar no exterior, principalmente nos EUA. Diferente dos brasileiros que mesmo estudando nas precárias escolas públicas, ainda assim conseguem ser contratados por gigantes do setor de TI.

Chegando agora no nível comunidade brasileira, onde os jovens não são incentivados a estudar, muitos falam com vocabulário restrito,  poucos sabem as regras gramaticais básicas e alguns aprendem somente o japonês. Sentiremos os efeitos daqui alguns anos se nada for feito para que eles entrem em redes sociais para discutir idéias e formar opiniões com fundamentos.

As redes sociais vieram para mudar a forma de distribuição de informação no mundo. Antes pagávamos para ler o que as grandes empresas nos forçavam a engolir todos os dias. Agora, escolhemos qual a fonte e quanto de tempo vamos dispor para com tais informações. Isso faz com que todos nós sejamos os provedores de conteúdo para as pessoas e empresas.

Redes como o Youtube, que nos trazem novos talentos de qualquer parte do mundo, mesmo que seja um gato que pule dentro de uma caixa. Twitter, que propaga em segundos uma informação que pode vir de qualquer celular na terra ou no espaço. Facebook, que engloba todo tipo de diversão, informação e conexão. Linkedin, que conecta todos os níveis do mundo corporativo e empreendedor. Blogs, que conectam escritores aos leitores informalmente sem a necessidade de aguardar a impressão de um capítulo de livro em papel. E o próprio Google Docs que conecta documentos as pessoas e as pessoas aos documentos sem a necessidade de uma impressora, tinta ou papel.

Estamos numa transição de conectividade e precisamos fazer algo pelos nossos jovens que só aprenderam a jogar fazendinha virtual e não entenderam que as sementes devem ser plantadas na sua mente e não na tela do computador.